Mundo
Marroquinos vão às urnas após tentativas de migração em massa e protestos fatais
O próximo Governo de Marrocos vai enfrentar pressão para dar resposta às preocupações da população, operando a par de uma monarquia com poder de decisão em assuntos estratégicos.
Os marroquinos vão esta quarta-feira às urnas para eleger um novo Parlamento, numa altura em que reivindicam mais emprego, melhores salários e mais habitação e hospitais. Um total de 7.288 candidatos de 27 partidos políticos disputam 395 assentos.
Estas são as primeiras eleições parlamentares no país desde a travessia em massa da fronteira marroquina para o enclave espanhol de Ceuta, em julho, e também desde que, há quase um ano, eclodiram os protestos fatais liderados pela Geração Z. Cerca de 16 milhões de pessoas, de um total de 36 milhões de habitantes, vão eleger 395 deputados. As mesas de voto abriram às 9h00 e fecham às 20h00 (hora de Lisboa).
Embora a crise migratória não tenha ocupado um lugar central na campanha, as promessas de melhoria do poder de compra e da qualidade de vida dos marroquinos dominaram os discursos dos partidos.
O próximo Governo irá ainda supervisionar investimentos na ordem dos milhares de milhões de dólares, à medida que Marrocos se prepara para coorganizar o Campeonato do Mundo da FIFA de 2030.
O novo chefe do Governo pertencerá ao partido que ficar em primeiro lugar nas eleições e será escolhido pelo rei Mohammed VI. O mandato será de cinco anos, embora as grandes decisões em setores estratégicos continuem a ser da competência exclusiva do monarca.
Na ausência de sondagens, proibidas pela lei eleitoral, a imprensa e os observadores colocam o Rassemblement National des Indépendants (RNI), que lidera a atual coligação governamental, entre os favoritos.Partidos prometem emprego, melhores salários e habitação
Com uma economia em crescimento, mais investimento estrangeiro e desenvolvimento da indústria, Marrocos tornou-se também o destino mais visitado do continente africano. No entanto, não estão a ser criados empregos suficientes e 12,7 por cento da população vive na pobreza.
O partido RNI prometeu um salário mínimo mensal garantido de 5.000 dirhams (cerca de 457 euros) e a criação de um milhão de postos de trabalho.
Outro membro da coligação governamental, o partido PAM, prometeu por sua vez isentar de impostos os salários inferiores a 1.370 euros e criar 100.000 soluções habitacionais para os jovens.
Já o Partido Istiqlal pretende acelerar o atendimento nos hospitais públicos, enquanto o PPS, partido de oposição de esquerda, tem como objetivo reduzir para metade a taxa de abandono escolar e reforçar as regras anticorrupção.
O partido islamita moderado PJD quer reduzir as disparidades económicas entre os principais centros económicos, como Casablanca, e outras regiões.Jovens marroquinos sem esperança nas eleições
Os jovens marroquinos estão especialmente frustrados à medida que as eleições se aproximam.
Em 2025, o desemprego juvenil atingiu os 37 por cento. Cerca de 2,9 milhões de marroquinos entre os 15 e os 29 anos não estudam nem trabalham, segundo dados do Governo.
A frustração dos jovens ficou evidente nos protestos fatais da Geração Z no ano passado e também na travessia em massa para Ceuta este verão.
“Não quero saber de política e de eleições, não quero importar-me com isso”, disse à Associated Press Ayoub Lasli, um jovem nadador-salvador em Casa Blanca que nadou até Ceuta em julho na esperança de encontrar um emprego melhor.Próximo primeiro-ministro pode ser dirigente do futebol ou primeira mulher a ocupar o cargo
Uma vez que não se prevê que algum dos partidos consiga, por si só, obter maioria absoluta, o partido vencedor terá de formar um Governo de coligação. Nesse cenário, as pastas ministeriais são repartidas entre os aliados políticos.
Tradicionalmente, o rei nomeia como primeiro-ministro o líder do partido que fica em primeiro lugar. Nos últimos meses, porém, veio a público o nome de Faouzi Lakjaa, presidente da Federação de Futebol de Marrocos, que aderiu recentemente ao partido PAM.
No entanto, num comício na semana passada, os membros do PAM apoiaram outro candidato. “Queremos uma mulher como primeira-ministra”, defenderam alguns, referindo-se a Fatima-Zahra Mansouri, de 50 anos, presidente da Câmara de Marraquexe e ministra do Planeamento Urbano.
Se fosse nomeada, Mansouri tornar-se-ia a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra de Marrocos.
c/ agências
Estas são as primeiras eleições parlamentares no país desde a travessia em massa da fronteira marroquina para o enclave espanhol de Ceuta, em julho, e também desde que, há quase um ano, eclodiram os protestos fatais liderados pela Geração Z. Cerca de 16 milhões de pessoas, de um total de 36 milhões de habitantes, vão eleger 395 deputados. As mesas de voto abriram às 9h00 e fecham às 20h00 (hora de Lisboa).
Embora a crise migratória não tenha ocupado um lugar central na campanha, as promessas de melhoria do poder de compra e da qualidade de vida dos marroquinos dominaram os discursos dos partidos.
O próximo Governo irá ainda supervisionar investimentos na ordem dos milhares de milhões de dólares, à medida que Marrocos se prepara para coorganizar o Campeonato do Mundo da FIFA de 2030.
O novo chefe do Governo pertencerá ao partido que ficar em primeiro lugar nas eleições e será escolhido pelo rei Mohammed VI. O mandato será de cinco anos, embora as grandes decisões em setores estratégicos continuem a ser da competência exclusiva do monarca.
Na ausência de sondagens, proibidas pela lei eleitoral, a imprensa e os observadores colocam o Rassemblement National des Indépendants (RNI), que lidera a atual coligação governamental, entre os favoritos.Partidos prometem emprego, melhores salários e habitação
Com uma economia em crescimento, mais investimento estrangeiro e desenvolvimento da indústria, Marrocos tornou-se também o destino mais visitado do continente africano. No entanto, não estão a ser criados empregos suficientes e 12,7 por cento da população vive na pobreza.
O partido RNI prometeu um salário mínimo mensal garantido de 5.000 dirhams (cerca de 457 euros) e a criação de um milhão de postos de trabalho.
Outro membro da coligação governamental, o partido PAM, prometeu por sua vez isentar de impostos os salários inferiores a 1.370 euros e criar 100.000 soluções habitacionais para os jovens.
Já o Partido Istiqlal pretende acelerar o atendimento nos hospitais públicos, enquanto o PPS, partido de oposição de esquerda, tem como objetivo reduzir para metade a taxa de abandono escolar e reforçar as regras anticorrupção.
O partido islamita moderado PJD quer reduzir as disparidades económicas entre os principais centros económicos, como Casablanca, e outras regiões.Jovens marroquinos sem esperança nas eleições
Os jovens marroquinos estão especialmente frustrados à medida que as eleições se aproximam.
Em 2025, o desemprego juvenil atingiu os 37 por cento. Cerca de 2,9 milhões de marroquinos entre os 15 e os 29 anos não estudam nem trabalham, segundo dados do Governo.
A frustração dos jovens ficou evidente nos protestos fatais da Geração Z no ano passado e também na travessia em massa para Ceuta este verão.
“Não quero saber de política e de eleições, não quero importar-me com isso”, disse à Associated Press Ayoub Lasli, um jovem nadador-salvador em Casa Blanca que nadou até Ceuta em julho na esperança de encontrar um emprego melhor.Próximo primeiro-ministro pode ser dirigente do futebol ou primeira mulher a ocupar o cargo
Uma vez que não se prevê que algum dos partidos consiga, por si só, obter maioria absoluta, o partido vencedor terá de formar um Governo de coligação. Nesse cenário, as pastas ministeriais são repartidas entre os aliados políticos.
Tradicionalmente, o rei nomeia como primeiro-ministro o líder do partido que fica em primeiro lugar. Nos últimos meses, porém, veio a público o nome de Faouzi Lakjaa, presidente da Federação de Futebol de Marrocos, que aderiu recentemente ao partido PAM.
No entanto, num comício na semana passada, os membros do PAM apoiaram outro candidato. “Queremos uma mulher como primeira-ministra”, defenderam alguns, referindo-se a Fatima-Zahra Mansouri, de 50 anos, presidente da Câmara de Marraquexe e ministra do Planeamento Urbano.
Se fosse nomeada, Mansouri tornar-se-ia a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra de Marrocos.
c/ agências